Café com Série: nova temporada de Special, da Netflix

Nova temporada da série criada e estrelada por Ryan O’connell foi a dica da semana no Café com Série.

A série criada e estrelada por Ryan O’connell, que vive um personagem gay com paralisia cerebral, é inspirada na vida do ator, que já foi contada no livro “I’m special: and other lies we tell ourselves”. A jornalista Rafaela Santos já tratou da primeira leva de episódios na edição #22.

Recém-chegada à Netflix, a nova temporada de Special retoma a trama de onde ela parou nos últimos episódios: Ryan (Ryan O’Connell) segue brigado com a mãe, Karen (Jessica Hecht). Mas é justamente quando o protagonista corta o cordão umbilical e vai atrás do inexplorado que a série ganha força e potência.

Além do fim da relação de simbiose com a mãe, que permite Ryan explorar novas experiências, outras histórias se abrem para um novo caminho. É o caso de Kim (Punam Patel), a fiel amiga do personagem central. Sua trama se amplia e nos permite conhecer seu passado, explorar seus dramas de como foi crescer nos Estados Unidos com suas origens indianas e fora daquilo que a tradicional sociedade considera padrão.

A segunda temporada – agora com 30 minutos cada um dos oito episódios – tem alguns excessos e certos exageros (propositais), como a amiga de Karen, uma espécie de escada para personagem que está longe de Ryan. Mas nada que prejudique a produção porque tudo ali é pensado.

“Special” não tem pudor – como tem que ser – na hora de mostrar a relação amorosa e sexual entre dois homens. Ela abraça a diversidade e coloca no centro da trama discussões sobre como é ser excluído por ser defieciente e, por isso, tentar lutar contra o que você é. A série poderia cair numa forma pedagógica, mas ela faz justamente o contrário: não é politicamente correta, tem um humor ácido e traz uma reflexão sobre preconceito e inclusão.

Ouça na edição 101 do Primeiro Café:

Café com Série: “A desordem que ficou”, da Netflix

“A desordem que ficou” (“El desorden que dejas”), da Netflix, é a segunda atração da série “café amargo”.

Nos primeiros minutos, “A desordem que ficou” dá pistas de que a morte puxará o fio da narrativa. Logo na apresentação a personagem Rachel (Inma Cuesta) tem pesadelos angustiantes com o falecimento da mãe. Já a outra personagem principal, Viruca (Bárbara Lennie), cita um trecho de um poema de Sylvia Plath, que suicidou-se quando jovem:

“Morrer é uma arte, como tudo o mais.

Nisso sou excepcional.

Desse jeito faço parecer infernal.

Desse jeito faço parecer real.

Vão dizer que tenho vocação.”

As histórias de Viruca e Raquel se cruzam numa pequena cidade da Galícia, onde o clima é sempre cinza e chuvoso. Como uma boa cidade do interior, como nossa comunidade no Telegram, todos os personagens se conhecem e escondem segredos. Mas, conforme a trama vai avançando, uma lupa é colocada na história de cada um.

Após uma tragédia que é o grande mistério de “A desordem que ficou” as perguntas:” o que aconteceu?” e “quem é o culpado?” permeiam os episódios. São duas cronologias intercaladas, mas que são bem marcadas e não confundem o espectador. Como um bom  suspense, a cada hora você acha que uma pessoa é a culpada e responsável pelo crime. 

Os cenários, a cenografia e fotografia são excelentes, mas a produção sofre com alguns  excessos com cenas de suspense que não resultam em nada. Mas é uma série que prende a atenção e faz querer embarcar nessa maratona nada açucarada. “A desordem que ficou” não tem doçura nenhuma e é como um gin sem gelo e sem tônica que uma das personagens bebe: é pra descer queimando. 

Ouça na íntegra na edição 91 do #PrimeiroCafe

Café com Série: “Onde está meu coração”, da Globoplay

Depois das séries café com leite açucarado, chegou a vez daquelas produções sem nenhuma doçura.

Na primeira parte desta coletânea de séries amargas, a jornalista Rafaela Santos comentou sobre “Onde está meu coração”, do Globoplay. A história é centrada em Amanda, personagem de Leticia Colin, jovem médica viciada em crack. Logo na abertura da minissérie, seus problemas conjugais e a sua dependência ficam em evidência. São recortes angustiantes e que ganham mais força com a atuação de Leticia Colin, uma atriz talentosíssima.

O primeiro episódio mostra a rotina dela como uma profissional que tenta fazer de tudo para salvar seus pacientes, mas, em contrapartida, sofre crises de abstinência e usa drogas no local de trabalho. Seus pais, que moram em Santos, descobrem que a filha é dependente e vão até São Paulo, onde a trama é ambientada. A dupla, composta pelos ótimos atores Fábio Assunção e Mariana lima, tenta ajudar Amanda, busca encontrar um culpado e mergulha no sofrimento da filha.

A produção, de dez episódios, apresenta uma excelente trilha sonora, fotografia, elenco e direção. “Onde está meu coração”  tem a assinatura de George Moura e Sergio Goldenberg e direção artística de Luisa Lima.

Ouça na edição 86 do Primeiro Café:

Borra

Na sexta, 7 de maio, a Apple TV+ lançou a segunda temporada de “Mythic Quest”. Quer saber mais sobre essa série ambientada em uma empresa de jogos? Escute o programa sobre a atração.