Afonso Borges: Lei Rouanet foi e sempre será o grande diferencial do setor cultural brasileiro

O jornalista, escritor e gestor cultural Afonso Borges, criador do projeto Sempre Um Papo, foi o entrevistado do Primeiro Café nesta quarta-feira.

Atacada constantemente pelo bolsonarismo, a Lei Rouanet é considerada pelo escritor Afonso Borges como o grande diferencial do financiamento do setor cultural. Para ele, a criação da lei foi um marco no trabalho das artes no Brasil que será permanente, apesar dos ataques.

_Por mais que ela seja permanentemente demonizada, é um instrumento invejado por pessoas das artes de todo o mundo porque consegue estabelecer um equilíbrio entre o recurso público e o poder decisório das empresas. De um lado, quem escolhe o projeto a ser apoiado é a empresa. Do outro, o Fundo Nacional de Cultura dá à produção cultura o trato estatal e, com ele, o governo pode estabelecer as políticas públicas de Estado.

Afonso Borges ressalta, no entanto, que o Fundo Nacional de Cultura só foi devidamente abastecido por um breve período durante o governo Lula. A Lei Rouanet é alvo de constantes ataques do bolsonarismo com desinformação sobre o seu funcionamento e suas regras.

_É muita mentira, é muito engano, é muita fake news que, de certa forma, contribui para essa guerra cultural armada nesse governo, argumenta.

O escritor defende a manutenção da lei e afirma que ela é “perfeita na adequação e na distribuição do recurso público”.

_Especialmente porque a Lei Rouanet não dá dinheiro para ninguém. Ela te dá uma espécie de carta de crédito para que você consiga o patrocínio na iniciativa privada, explica.

Criador do projeto Sempre Um Papo, que há 35 anos reúne as mais importantes personalidades da literatura brasileira, e gestor de dois festivais literários em Minas Gerais, Afonso Borges traça um paralelo entre o momento em que o projeto foi criado, em 1986, e o atual.

_O Sempre Um Papo surgiu num contexto curiosamente parecido com o de hoje, no qual as pessoas precisavam falar. Era um momento em que todo mundo estava chegando do exílio e a vontade de reunir pessoas e conversar sobre temas vinha de tantos anos de ditadura militar, conta.

Ouça na edição #148 do Primeiro Café:

Juca Ferreira alerta que prédio central da Cinemateca também corre risco de incêndio

Ex-ministro da Cultura dos governos Lula e Dilma foi entrevistado na edição desta segunda-feira do Primeiro Café e alertou que o prédio central da Cinemateca também corre risco de incêndio.

A cultura enfrenta um desafio duplo: o descaso do governo Bolsonaro e as restrições impostas pela pandemia. Diante deste cenário, qual o futuro do setor no Brasil? O ex-ministro da Cultura dos governos Lula e Dilma, o sociólogo Juca Ferreira, acredita que a reconstrução do setor será difícil, mas vai acontecer.

_O incêndio da Cinemateca não foi algo acidental. Só eu falei umas 20 vezes do perigo. E nós estamos correndo um perigo maior ainda: que o prédio central queime também e aí acabe de vez com o acervo audiovisual e cinematográfico do Brasil!, alertou o ex-ministro.

Juca Ferreira lembrou que parte do acervo de Glauber Rocha foi perdido no incêndio dos últimos dias e outra parte está em risco no prédio central da Cinemateca.

_Se a sociedade brasileira não pressionar para que eles cumpram sua responsabilidade de zelar pelo patrimônio e pela memória cultural do Brasil vai pegar fogo também na estrutura central e aí será um desastre de uma proporção inimaginável, alertou Juca Ferreira.

Sobre os constantes ataques de Bolsonaro ao setor cultural, o ex-ministro argumenta que o atual governo quer que o Brasil volte ao passado.

_Ele rejeita e declarou guerra à Cultura. Ele quer apagar todas as marcas que signifiquem conquistas de liberdade, disse.

Ouça na edição #146 do Primeiro Café:

Coordenador do Judeus Pela Democracia fala sobre foto de Bolsonaro com neta de ministro nazista

Guilherme Cohen foi o entrevistado da edição desta terça-feira do Primeiro Café e comentou as mais recentes associações do bolsonarismo com a extrema-direita alemã.

O psicólogo Guilherme Cohen coordena o movimento Judeus Pela Democracia e comentou o mais recente escândalo que aproxima o governo Bolsonaro de figuras neonazistas.

_Esse não é um caso isolado. Desde o início do governo vimos casos de inspirações muito claras, que não estavam nem nas entrelinhas, que mostram com muita clareza o quanto esse governo tem inspirações no nazismo, diz Cohen.

Guilherme diz que “não só como judeus, mas como seres humanos e como brasileiros, vimos com muita tristeza e com muita indignação esse caso mais recente”.

O coletivo Judeus Pela Democracia foi fundado em 2018 com o objetivo de ser um contraponto aos judeus que apoiaram a candidatura de Jair Bolsonaro à presidência e vem lutando contra a apropriação de símbolos judaicos e de Israel pelo bolsonarismo.

_Nascemos a partir de um grupo de parte da comunidade judaica no Brasil se sentia revoltada com o senso comum que tentava mostrar que apoiávamos a candidatura do então deputado Bolsonaro, conta.

Ouça na edição #142 do Primeiro Café:

Nova presidenta da UNE fala sobre protestos contra Bolsonaro e ataques contra a educação

Bruna Brelaz foi eleita recentemente para presidir a União Nacional dos Estudantes (UNE) e participou ao vivo da edição 140 do Primeiro Café.

A maior entidade estudantil do Brasil agora é presidida por uma mulher negra e amazonense. São dois fatos inéditos destacados com a eleição de Bruna Brelaz para a presidência da UNE.

Mas, se depender dela, o mandato dela será marcado por outro fato. Neste sábado, 24 de julho, ela participa das manifestações #24J pelo impeachment de Bolsonaro.

_Eu gostaria muito de ser lembrada como a presidenta da UNE que, junto com uma geração de jovens, derrubou o presidente que tem sido nocivo à educação e ao povo brasileiro, disse.

Ela substitui Iago Montalvão, que também já foi entrevistado pelo Primeiro Café.

Ouça na edição #140 do Primeiro Café:

É o fim da Era Netanyahu em Israel?

Aliança inédita entre partidos de direita, centro e esquerda pode encerrar período de 12 anos de Benjamin Netanyahu como primeiro-ministro de Israel.

Na edição desta quarta-feira, conversamos com o João Miragaya, editor do site Conexão Israel e participante do podcast Do Lado Esquerdo do Muro. Ele explicou o contexto político do país.

Os oponentes do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu têm apenas algumas horas para anunciar um acordo sobre um novo governo. As negociações continuaram até tarde da noite ontem.

_A verdade é que está muito indefinido. Existe grandes chances de terminarmos o dia sem acordo entre os 8 partidos que formariam esse governo que está sendo chamado de governo de mudança, comentou João.

As negociações reuniram em 3 dias as equipes dos principais líderes da esquerda, do centro e de parte da direita, incluindo o Yamina, do líder da extrema-direita Naftali Bennett, que deve ser o primeiro premiê como parte de um rotação no poder com Yair Lapid.

Se um novo governo for formado, isso evitaria a realização da quinta eleição em pouco mais de dois anos. 

Supostamente, eles fizeram um progresso significativo durante a noite, com quase todos os acordos de coalizão finalizados, incluindo com o partido Azul e Branco, do Benny Gantz, que na quarta-feira deu sua aprovação oficial para Lapid formar um governo.

Ouça na edição 104 do Primeiro Café:

Daniel Munduruku: ataques contra territórios indígenas são como uma nova colonização

Escritor conversou com o Primeiro Café ao vivo nesta terça-feira e comentou a onda de ataques de garimpeiros ilegais contra o povo Munduruku, no Pará

Autor de mais de 50 livros infanto-juvenis, o escritor Daniel Munduruku refletiu sobre o momento de ataques contra o seu povo no Pará.

_Essas invasões todas de territórios indígenas são como uma nova colonização. É uma tentativa de manter os povos indígenas na margem da sociedade. Acontece que os indígenas estão, como sempre, defendendo o patrimônio imaterial importante, disse.

Ele comentou também sobre os recentes protestos contra o governo Bolsonaro.

_Nós precisamos de uma consciência crítica que nos permita nos observar como seres capazes da mudança e da transformação, disse.

O escritor lembrou que a Constituição de 1988 colocou no papel os direitos dos povos indígenas, mas isso não foi suficiente.

_O Brasil é um país muito criativo na hora de escrever leis, mas é muito pouco criativo na hora de cumpri-las, argumentou o professor.

Ouça na edição 104 do Primeiro Café:

4 dicas para melhorar o preparo do seu café em casa

Na edição 100 do Primeiro Café conversamos com o coffee expert Daniel Carvalho.

1 – Comece por um bom café!

Preocupe-se com a qualidade do café que você consome. Procure os nomes dos produtores: 98% do café brasileiro é produzido por pequenos produtores e você deve prestar atenção à origem do café.

2 – Qual água você utiliza?

95% da sua xícara de café é água! Nunca use água da torneira pela grande quantidade de cloro. Utilize água mineral ou filtrada.

3 – Escalde o filtro

Se você usa o filtro de papel, passe água quente antes do preparo do café para tirar o gosto do papel. O filtro deixa um pouco de resíduo na bebida.

4 – Prefira café moído na hora

Moer o café na hora do preparo faz com que os sabores e aromas fiquem mais puros e você tenha uma experiência inesquecível.

_É uma experiência que muda a vida, diz o coffee expert Daniel Carvalho.

Ouça na edição 100 do Primeiro Café: