Flávio Dino avalia conjuntura política e alerta que ameaça à democracia não foi afastada

O governador do Maranhão, Flávio Dino (PSB), foi o entrevistado desta quarta-feira da série Primeiro Café pela Democracia.

Para Flávio Dino (PSB), as manifestações da esquerda pelo impeachment do presidente Bolsonaro foram “vitoriosas” ao colocar nas ruas as críticas à má gestão do governo na pandemia e na economia. No entanto, o governador do Maranhão chamou de “episódio equivocado” a tentativa de agressão ocorridas em São Paulo contra Ciro Gomes.

_Não teremos resultados políticos mais expressivos se não houver a compreensão de que as diferenças são legítimas, mas que é preciso também compreender quem é o adversário principal, comentou Dino.

O governador maranhense voltou a alertar sobre as ameaças à democracia pelo bolsonarismo.

_Essas ameaças não foram afastadas. Diferente de alguns que acreditam que aquela carta escrita pelo Temer resolveu tudo, mas eu não acredito nisso. O bolsonarismo e a extrema-direita não renunciaram aos seus reais propósitos de subversão da Constituição e de destruição do aparato institucional democrático, alertou Flávio Dino.

Durante a entrevista, o governador ainda falou sobre a recente troca de partido – ele saiu do PCdoB e foi para o PSB – e comparou com uma mudança de casa “para o mesmo bairro”. Flávio Dino também atualizou a situação da pandemia no Maranhão e falou sobre as ações do governo.

Ouça a entrevista na íntegra na edição #192 do Primeiro Café:

Carlos Lupi diz que tentativa de agressão contra Ciro abalou “profundamente” chances de diálogo

O ex-ministro e presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, foi o convidado da edição desta terça-feira do Primeiro Café e comentou a tentativa de agressão física contra ele e Ciro Gomes no ato na Avenida Paulista no último domingo.

Presidente do partido fundado por Leonel Brizola, Carlos Lupi trabalha na articulação para viabilizar a candidatura de Ciro Gomes à presidência. Só que as críticas do pré-candidato pedetista ao ex-presidente Lula e ao PT resultaram em uma reação desproporcional no final do ato pelo impeachment do último domingo em São Paulo.

Ciro e Lupi deixaram o local às pressas enquanto militantes de esquerda proferiam xingamentos e lançavam objetos contra eles. Antes, durante a fala, Ciro foi vaiado por parte dos manifestantes.

_Já presenciei alguns momentos muito radicalizados entre o PDT e o PT, mas como esse eu nunca tinha visto, disse Lupi. Ele minimizou as vaias recebidas pelo pré-candidato de seu partido, mas disse estar “chocado” com a tentativa de agressão física, algo que “não pode acontecer” num ambiente democrático.

Ele disse que estava preocupado com a possibilidade de militantes de direita, como os do MBL, sofrerem algum tipo de agressão se participassem dos protestos e ficou surpreso ao ser alvo dos militantes de esquerda, lembrando que foi Ministro do Trabalho dos governos Lula e Dilma.

_O desrespeito foi maior que a agressão física. Fiquei chocado. Isso abalou profundamente as minhas convicções de qualquer possibilidade de um diálogo com civilidade no primeiro turno, disse Carlos Lupi.

Durante a entrevista, Lupi revelou que convidou o apresentador Datena para se filiar ao PDT e avaliar candidatura à vice-presidência, ao governo de São Paulo ou ao Senado. O presidente nacional do PDT também adiantou atividades que serão realizadas em janeiro de 2022 para marcar o centenário de nascimento de Brizola e contou a história de como conheceu o ex-governador do Rio e do Rio Grande do Sul.

Ouça a entrevista na íntegra na edição #191 do Primeiro Café:

Tarso Genro aponta surgimento de novo centro democrático em alternativa ao centrão fisiológico

O ex-ministro Tarso Genro foi o primeiro entrevistado da série Primeiro Café pela Democracia. Carlos Lupi, Flavio Dino e Marina Silva são os próximos.

O ex-ministro da Justiça e da Educação e ex-governador do RS pelo PT, Tarso Genro, foi o primeiro entrevistado da série que ouvirá lideranças políticas quando falta um ano para a eleição de 2022.

Durante a conversa de cerca de 40 minutos, Tarso Genro falou sobre as manifestações pelo impeachment de Bolsonaro do último sábado.

_ Em termos de mobilização política e social as placas tectônicas recém começam a se movimentar. Essa foi a primeira grande experiência unitária. Eu acho que foi boa. Teve esses pontos baixos, a relação entre aliados em um momento como esse é muito complexa porque envolve também disputas eleitorais, mas eu acho que o saldo é muito positivo e traz experiências, disse Tarso.

O ex-ministro também comentou o cenário eleitoral para 2022, defendeu “bloquear” Bolsonaro e falou também sobre seu futuro político, descartando uma possível candidatura. Tarso Genro comentou ainda a posição do ex-presidente Lula nas pesquisas eleitorais e revelou o surgimento de um novo centro democrático em alternativa ao fisiológico centrão.

_Eu acho que a grande questão que se coloca hoje no Brasil é a formação de um centro político estável. Esse centro político foi ocupado ao longo de 88 até agora por uma articulação de caráter fisiológico e regionalista que vai dando estabilidade a todos os governos a troco de um orçamento muito complicado. Isso leva a um conjunto de deformações no espectro político do país, disse Tarso.

Ouça a entrevista na íntegra na edição #190 do Primeiro Café:

Mulheres ocupam praça e impedem atos de extremistas em São Paulo

A escritora Daniela Abade participou do Primeiro Café e contou como nasceu a ação que ocupa praça em São Paulo e impede atos contra o aborto de extremistas religiosos

Uma ação solidária que nasceu da coragem de um grupo de mulheres dispostas a impedir uma manifestação extremista contra o direito ao aborto. Assim nasceu a Primavera da Solidariedade, evento que acontece até o fim de outubro na praça em frente ao Hospital Pérola Byington, no Bexiga, região central de São Paulo.

O hospital é um centro público de referência no atendimento a mulheres vítimas de violência. Nesse hospital são realizados abortos nos três casos previstos pela lei brasileira: estupro, gestação de fetos anencéfalos ou gravidez com risco de morte para a mãe.

Ouça na edição #186 do Primeiro Café:

Magno da Silva: Quem tem fome não pode esperar 2022

Atos pelo impeachment de Bolsonaro acontece no sábado, 2/10.  

As manifestações pelo impeachment de Bolsonaro no próximo sábado estão sendo convocadas pela frente Povo Na Rua. O professor Magno da Silva é presidente da Unidade Popular em Alagoas e participa ativamente da organização dos atos.

“Quem não tem pressa é que está de barriga cheia, quem tem fome, quem está na fila do osso, tem pressa”, disse ele durante a participação na edição 187 do Primeiro Café.

No próximo sábado, pelo menos 76 cidades terão protestos contra Bolsonaro:

Ouça na edição #187 do Primeiro Café:

Adriane Rampazzo analisa discurso dominante do governo Bolsonaro

No episódio da última terça-feira, a professora Adriane Rampazzo participou ao vivo do Primeiro Café.

Mestra em Direito pela Universidade de Lisboa, a professora Adriane Rampazzo pesquisou as consequências dos discursos na sociedade. Diante do aumento das falas que direcionam ódio para grupos específicos, a professora

“Quando se fala em discurso dominante é sempre preciso pensar em relações de poder. O que o discurso dominante fala sobre indígenas e quilombolas pelo menos nos últimos anos, qual é a crescente que se tem nesses discursos?”, questiona a professora.

Ouça a entrevista na íntegra na edição #176 do Primeiro Café:

Pedro Abramovay repercute manifestações do 7 de setembro

No episódio da última quarta-feira, o cientista político Pedro Abramovay nos ajudou a repercutir as manifestações antidemocráticas do dia anterior no Primeiro Café.

Mestre em direito e doutor em ciência política, Pedro Abramovay conversou com o Primeiro Café um dia depois dos protestos de 7 de setembro que levaram pautas antidemocráticas para as ruas de várias cidades brasileiras.

“Foi muito maior do que a gente considera aceitável numa democracia”, avalia. “Isso mostra que uma visão política autoritária está presente e vai estar presente por muito tempo”, comenta Abramovay.

Ouça na edição #173 do Primeiro Café:

Nailah Neves avalia reação ao discurso golpista de Bolsonaro

No episódio de quinta-feira (9/9), a cientista política Nailah Neves participou do Primeiro Café.

A semana foi marcada pela tensão com os protestos convocados pelo presidente para o dia 7 de setembro e terminou com reações duras contra Bolsonaro. Recebemos a cientista política Nailah Neves na edição de quinta-feira.

“Nós já conhecíamos a incompetência do Bolsonaro, mas é impressionante como estamos num momento em que o Brasil conhece o Bolsonaro, ficamos nas notas de repúdio”, comenta. Ela avaliou positivamente a nota do ministro Luiz Fux: “Ele falou que foi um ato antidemocrático”.

“A tática do Bolsonaro é tentar gerar o caos. Então qualquer ato fora da Constituição daria a munição que Bolsonaro está provocando”, comentou Nailah Neves.

Ouça na edição #173 do Primeiro Café:

Ana Prestes comenta os 20 anos dos atentados de 11 de setembro

No episódio da última sexta-feira, a cientista política Ana Prestes participou do Primeiro Café.

Todo mundo lembra o que estava fazendo naquele 11 de setembro de 2001. Nossa comunidade respondeu essa pergunta durante o episódio 174.

Conversamos com a cientista política Ana Prestes. “O pós-Era 11 de setembro está começando agora, mas a Era-11 de setembro marcou essas primeiras duas décadas do século XXI”, disse.

Ouça na edição #174 do Primeiro Café:

Afonso Borges: Lei Rouanet foi e sempre será o grande diferencial do setor cultural brasileiro

O jornalista, escritor e gestor cultural Afonso Borges, criador do projeto Sempre Um Papo, foi o entrevistado do Primeiro Café nesta quarta-feira.

Atacada constantemente pelo bolsonarismo, a Lei Rouanet é considerada pelo escritor Afonso Borges como o grande diferencial do financiamento do setor cultural. Para ele, a criação da lei foi um marco no trabalho das artes no Brasil que será permanente, apesar dos ataques.

_Por mais que ela seja permanentemente demonizada, é um instrumento invejado por pessoas das artes de todo o mundo porque consegue estabelecer um equilíbrio entre o recurso público e o poder decisório das empresas. De um lado, quem escolhe o projeto a ser apoiado é a empresa. Do outro, o Fundo Nacional de Cultura dá à produção cultura o trato estatal e, com ele, o governo pode estabelecer as políticas públicas de Estado.

Afonso Borges ressalta, no entanto, que o Fundo Nacional de Cultura só foi devidamente abastecido por um breve período durante o governo Lula. A Lei Rouanet é alvo de constantes ataques do bolsonarismo com desinformação sobre o seu funcionamento e suas regras.

_É muita mentira, é muito engano, é muita fake news que, de certa forma, contribui para essa guerra cultural armada nesse governo, argumenta.

O escritor defende a manutenção da lei e afirma que ela é “perfeita na adequação e na distribuição do recurso público”.

_Especialmente porque a Lei Rouanet não dá dinheiro para ninguém. Ela te dá uma espécie de carta de crédito para que você consiga o patrocínio na iniciativa privada, explica.

Criador do projeto Sempre Um Papo, que há 35 anos reúne as mais importantes personalidades da literatura brasileira, e gestor de dois festivais literários em Minas Gerais, Afonso Borges traça um paralelo entre o momento em que o projeto foi criado, em 1986, e o atual.

_O Sempre Um Papo surgiu num contexto curiosamente parecido com o de hoje, no qual as pessoas precisavam falar. Era um momento em que todo mundo estava chegando do exílio e a vontade de reunir pessoas e conversar sobre temas vinha de tantos anos de ditadura militar, conta.

Ouça na edição #148 do Primeiro Café: