Café com Série: “A desordem que ficou”, da Netflix

“A desordem que ficou” (“El desorden que dejas”), da Netflix, é a segunda atração da série “café amargo”.

Nos primeiros minutos, “A desordem que ficou” dá pistas de que a morte puxará o fio da narrativa. Logo na apresentação a personagem Rachel (Inma Cuesta) tem pesadelos angustiantes com o falecimento da mãe. Já a outra personagem principal, Viruca (Bárbara Lennie), cita um trecho de um poema de Sylvia Plath, que suicidou-se quando jovem:

“Morrer é uma arte, como tudo o mais.

Nisso sou excepcional.

Desse jeito faço parecer infernal.

Desse jeito faço parecer real.

Vão dizer que tenho vocação.”

As histórias de Viruca e Raquel se cruzam numa pequena cidade da Galícia, onde o clima é sempre cinza e chuvoso. Como uma boa cidade do interior, como nossa comunidade no Telegram, todos os personagens se conhecem e escondem segredos. Mas, conforme a trama vai avançando, uma lupa é colocada na história de cada um.

Após uma tragédia que é o grande mistério de “A desordem que ficou” as perguntas:” o que aconteceu?” e “quem é o culpado?” permeiam os episódios. São duas cronologias intercaladas, mas que são bem marcadas e não confundem o espectador. Como um bom  suspense, a cada hora você acha que uma pessoa é a culpada e responsável pelo crime. 

Os cenários, a cenografia e fotografia são excelentes, mas a produção sofre com alguns  excessos com cenas de suspense que não resultam em nada. Mas é uma série que prende a atenção e faz querer embarcar nessa maratona nada açucarada. “A desordem que ficou” não tem doçura nenhuma e é como um gin sem gelo e sem tônica que uma das personagens bebe: é pra descer queimando. 

Ouça na íntegra na edição 91 do #PrimeiroCafe

Operação Akuanduba: Ministro do Meio Ambiente é alvo de operação da Polícia Federal

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, tomou o Primeiro Café com a Polícia Federal na porta da casa dele.

A Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao atual ministro do Meio Ambiente na manhã desta quarta-feira (19). Ele é um dos alvos da Operação Akuanduba, que investiga o envolvimento de agentes públicos e empresários do ramo madeireiro em irregularidades em processos de exportação de madeiras.

Em outras palavras: o ministro do Meio Ambiente é suspeito de ter atuado para ajudar no contrabando de madeira da Amazônia.

O presidente do Ibama, diretores e outros cargos comissionados foram afastados das funções pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Explicação sobre o nome da operação: Akuanduba é uma divindade da mitologia dos índios Araras, que habitam o estado do Pará. Segundo a lenda, se alguém cometesse algum excesso, contrariando as normas, a divindade fazia soar uma pequena flauta, restabelecendo a ordem.

Ouça na íntegra na edição 94 do #PrimeiroCafe

Na edição 73 do Primeiro Café, conversamos com a Txai Suruí, direto de Rondônia, e ela relatou que o ataque à vida dos povos indígenas é descarado.

_Desde a eleição do atual governo as pessoas invadem a nossa terra e ainda dizem que é porque agora pode, porque agora o governo permite. Eles falam isso na nossa cara: ‘essa terra não vai ser de vocês’, contou Txai.

Durante a pandemia houve um aumento do desmatamento dentro de terras indígenas aqui em Rondônia, contou.

Ouça a conversa com Txai Suruí no Primeiro Café:

Direita perde na eleição da Assembleia Constituinte do Chile

Socióloga Ana Prestes comentou no #PrimeiroCafe o resultado da eleição dos representantes populares que vão redigir a nova Constituição do país

Independentes e opositores saíram vitoriosos na eleição da Assembleia Constituinte do Chile realizada no final de semana. A votação é resultado dos protestos populares de 2019 que, entre outras demandas, pediam a substituição da atual Constituição do país que data da ditadura de Augusto Pinochet.

_A grande comemoração é por quem perdeu. Aquela ultradireita conservadora e pinochetista e também uma direita neoliberal mais arraigada perderam na eleição da Assembleia Constituinte, comentou Ana Prestes.

Ouça na íntegra na edição 92 do Primeiro Café:

O que rolou na CPI essa semana?

Sem dúvida, a segunda semana da CPI da Covid no Senado foi bem mais empolgante do que a primeira.

Na terça, o presidente da Anvisa, amigo pessoal de Bolsonaro, procurou se afastar das manifestações do presidente sobre a pandemia. Antônio Barra Torres reforçou divergências com Bolsonaro.

Ele justificou porque participou de uma manifestação sem máscara ao lado do presidente dizendo que, na época, o uso da máscara não era consenso.

Na quarta, Fábio Wajgarten, ex-secretário de Comunicação do governo Bolsonaro, quase saiu preso do depoimento. Ele mentiu tanto que irritou os senadores.

A sessão terminou com o filho do presidente, o senador Flávio Bolsonaro, causando tumulto ao chamar Renan Calheiros de “vagabundo”.

Na quinta, o representante da Pfizer revelou que outro filho do presidente, o vereador carioca Carluxo, participou de reuniões de negociação das vacinas.

Carlos Murillo também revelou que as tratativas com o governo brasileiro começaram em maio do ano passado e que se o Brasil tivesse assinado contrato na época as primeiras doses seriam entregues em dezembro.

E já são 14 vezes que o governo Bolsonaro recusou uma oferta de vacina.

Juliana Coelho Netto chega com o Café com Poesia

Poeta carioca lê poesias todas as quintas no #PrimeiroCafe

A partir desta semana nossa equipe conta com um reforço. Juliana Coelho Netto participará do programa trazendo uma poesia por semana.


O quadro Café com Poesia nasce de uma iniciativa da própria Juliana, que envia semanalmente poesias declamadas para uma lista de inscritos no WhatsApp.

JULIANA COELHO NETTO

Jornalista, tradutora e administradora, iniciou a carreira na área de Administração em empresas de referência como Samsung e centro global da Universidade de Columbia. Ganhou bolsa por mérito em um curso da Saint Mary’s College (CA, EUA) e atuou em um programa da University of Minnesota (EUA). Na área de Comunicação, trabalhou no Centro de Informação das Nações Unidas (e também Voluntária da Paz da ONU),  foi editora de Multimídia na Agência do Governo Espanhol – Efe, ajudando constantemente a editoria de texto na elaboração de matérias, crônicas e traduções; entre outras empresas. Ativista literária, é voluntária do projeto da Associação Viva e Deixe Viver, participa ativamente de eventos culturais e de estudos de grupo, como palestrante, pesquisadora, mentora, poeta e contadora de histórias (autorais e não autorais).

Contato: julicn511977@gmail.com

Na Mesa de Cabeceira: O museu da inocência, de Orhan Pamuk

É um livro, mas também é um museu. Ricardo Viel traz dica de literatura com dica de viagem no #PrimeiroCafe.

O primeiro romance escrito por Ortan Pamuk depois de ganhar o prêmio Nobel, “O museu da inocência” foi a dica do jornalista e escritor Ricardo Viel no quadro Na Mesa de Cabeceira desta quarta-feira (12).

Viel conta também os bastidores da construção de uma história e de um museu em Istambul que dá vida aos objetos do livro.

_ Ele começou a comprar objetos que faziam parte do livro. E depois, ele comprou um edifício de três andares e construiu um museu que conta a história do livro, conta.

O Museu da Inocência, organizado como lembrança de um caso de amor vivido por um homem trinta anos antes, em Istambul, transforma a história em um microcosmo dos dilemas sociais e morais pelos quais a Turquia passava nos anos 1970.

_Você pode ir fisicamente visitar o museu que tem os objetos que aparecem no livro, recomenda.

Ouça na íntegra na edição 89 do Primeiro Café:

Café com Série: “Onde está meu coração”, da Globoplay

Depois das séries café com leite açucarado, chegou a vez daquelas produções sem nenhuma doçura.

Na primeira parte desta coletânea de séries amargas, a jornalista Rafaela Santos comentou sobre “Onde está meu coração”, do Globoplay. A história é centrada em Amanda, personagem de Leticia Colin, jovem médica viciada em crack. Logo na abertura da minissérie, seus problemas conjugais e a sua dependência ficam em evidência. São recortes angustiantes e que ganham mais força com a atuação de Leticia Colin, uma atriz talentosíssima.

O primeiro episódio mostra a rotina dela como uma profissional que tenta fazer de tudo para salvar seus pacientes, mas, em contrapartida, sofre crises de abstinência e usa drogas no local de trabalho. Seus pais, que moram em Santos, descobrem que a filha é dependente e vão até São Paulo, onde a trama é ambientada. A dupla, composta pelos ótimos atores Fábio Assunção e Mariana lima, tenta ajudar Amanda, busca encontrar um culpado e mergulha no sofrimento da filha.

A produção, de dez episódios, apresenta uma excelente trilha sonora, fotografia, elenco e direção. “Onde está meu coração”  tem a assinatura de George Moura e Sergio Goldenberg e direção artística de Luisa Lima.

Ouça na edição 86 do Primeiro Café:

Borra

Na sexta, 7 de maio, a Apple TV+ lançou a segunda temporada de “Mythic Quest”. Quer saber mais sobre essa série ambientada em uma empresa de jogos? Escute o programa sobre a atração.

Três motivos para a escalada da violência entre israelenses e palestinos

Nas últimas semanas, confrontos entre judeus e muçulmanos em Jerusalém e na Cisjordânia elevaram alerta na região. A ONG Fuente Latina ajuda a explicar o que está acontecendo.

A escalada de violência é a pior dos últimos 5 anos e já deixou centenas de palestinos e dezenas de policiais feridos. A ONG Fuente Latina ouviu a especialista em geopolítica Leah Soibel, fundadora da organização.

Na segunda-feira, Dia de Jerusalém, os nacionalistas israelenses comemoraram a recuperação da parte oriental da cidade das mãos da Jordânia na Guerra dos Seis Dias de 1967 e o fato de que os judeus puderam orar novamente no Muro das Lamentações. O Muro, que é o lugar mais sagrado para o judaísmo, compartilha espaço com o terceiro lugar mais sagrado para o Islã, o complexo onde está localizada a mesquita de Al Aqsa. Todo o lugar é chamado pelos judeus de Monte do Templo e pelos muçulmanos Haram esh-Sharif.

E é lá que a tempestade atual está se formando.

“Existem vários elementos que nos levaram a este novo surto de violência”, explicou a especialista em geopolítica Leah Soibel. “A primeira, que o fim do Ramadã, o mês sagrado dos muçulmanos, está se aproximando, o que geralmente traz um aumento da violência na região.”

Ela explica que, além disso, os israelenses celebram o Dia de Jerusalém com uma marcha considerada por árabes israelenses e palestinos como provocativa.

Há um terceiro elemento, envolvendo a expulsão de 4 famílias palestinas de suas casas no bairro de Sheik Jarra, em Jerusalém, em árabe, ou Shimon Hatzadik, em hebraico, porque foram construídas em terras que pertenciam a judeus e que, atualmente, está em disputa judicial.

No dia 15 de maio, um dia após o Dia da Independência de Israel, os palestinos lembram do Dia da Catástrofe, que marca o nascimento do Estado de Israel e o êxodo de muitos palestinos.

“Há muitos elementos em poucos dias, além disso, não devemos esquecer que os palestinos iriam realizar eleições parlamentares e presidenciais, e o presidente Mahmoud Abbas cancelou sob o pretexto de que Israel não permitiu que os eleitores de Jerusalém Oriental pudesse exercer o direito ao voto ”, disse. “Na realidade, sabemos que a desunião e desarmonia interna palestina são as causas da estagnação política”, acrescentou.

Ouça na edição 88 do Primeiro Café:

Nem tratoraço, nem orçamento secreto: novo escândalo do governo vai ser chamado de #Bolsolão

Ouvintes do #PrimeiroCafe decidiram como devemos chamar o escândalo revelado pelo Estadão.

O presidente montou um esquema de distribuição de emendas parlamentares para comprar apoio do centrão e evitar o seu impeachment. Foi o que revelou o jornal O Estado de S. Paulo no último final de semana. O jornal apelidou o escândalo de “tratoraço”, em referência ao fato de que boa parte do dinheiro foi usada para comprar tratores e máquinas agrícolas.

Mas nós decidimos consultar os nossos ouvintes sobre como devemos nos referir ao fato. E a decisão não foi “uma escolha muito difícil”:

Ouça na edição 87 do Primeiro Café:

Na Mesa de Cabeceira: Em quantas casas você já morou? Ricardo Viel indica o livro Como se fosse a casa

A dica da semana no quadro do jornalista e escritor Ricardo Viel no #PrimeiroCafé foi o livro da Editora Relicário.

Uma troca de correspondências entre a locatária, a poeta Ana Martins Marques, e o locador, o também poeta Eduardo Jorge, virou uma intensa conversa em formato de poemas sobre a vida. O livro “Como se fosse a casa (uma correspondência)”, da Editora Relicário, é o resultado dessa comunicação entre os poetas enquanto Eduardo viveu na França.

Ana viveu no apartamento do amigo, na região centro-sul de Belo Horizonte, no edifício JK, projetado por Oscar Niemeyer em 1952. “Gosto muito quando ela fala que quando alugamos uma casa alugamos uma paisagem, alugamos os vizinhos e alugamos o direito de colocar o apartamento num poema”, comenta Ricardo Viel.

_Acho que é por isso que eu achei tão interessante. Eu me mudei há pouco tempo e vivi esse sentimento sobre o lugar.

Ouça na íntegra na edição 85 do #PrimeiroCafe:

Ana Martins Marques – Eduardo Jorge

Como se fosse a casa (uma correspondência)

Durante um mês, a poeta Ana Martins Marques alugou o apartamento do amigo e também poeta Eduardo Jorge, que viajara para a França. O imóvel fica na região centro-sul de Belo Horizonte, no edifício JK, projetado por Oscar Niemeyer em 1952. Enquanto viveu ali, a inquilina trocou e-mails com o locador. As mensagens, de início, abordavam questões meramente práticas. Mas, depois, se converteram em uma troca de poemas sobre o permanecer e o partir, o morar e o exilar-se, o familiar e o estranho.

Ana Martins Marques nasceu em Belo Horizonte em 1977. É formada em letras e doutora em literatura comparada pela UFMG. Publicou os livros de poemas A vida submarina (Scriptum, 2009), Da arte das armadilhas (Companhia das Letras, 2011), O livro das semelhanças (Companhia das Letras, 2015), Duas janelas (com Marcos Siscar, Luna Parque, 2016), Como se fosse a casa (com Eduardo Jorge, Relicário Edições, 2017) e O livro dos jardins (Quelônio, 2019). Uma antologia de seus poemas acaba de sair em Portugal, pela editora Douda Correria, com o título Linha de rebentação.

Eduardo Jorge nasceu no dia 24 de setembro de 1978, em Fortaleza, às 10h23. Publicou San Pedro (2004), Espaçaria (Lumme Editor, 2007), Caderno do estudante de luz (Lumme Editor, 2008), Pá, Pum (com Lucila Vilela, coleção Elixir, 2012), A casa elástica (Minisséries) (Lumme Editor, 2015), Como se fosse a casa (uma correspondência) (com Ana Martins Marques, Relicário, 2017) e “A teoria do hotel” (Selo Demônio Negro, 2018).